Alimentação natural e alergias ambientais em cães e gatos

As alergias ambientais são uma causa frequente de comichão e desconforto nos nossos animais de companhia, podendo afetar a pele, o pelo e a sua qualidade de vida.

Embora não seja possível eliminar completamente a exposição a muitos dos alergénios ambientais, existem estratégias que podem ajudar a controlar os sintomas. Uma alimentação adequada pode desempenhar um papel complementar, contribuindo para a manutenção da barreira cutânea, o equilíbrio da microbiota intestinal e o normal funcionamento do sistema imunitário.

 

O que são as alergias ambientais?

As alergias ambientais ocorrem quando o sistema imunitário reage de forma exagerada a substâncias habitualmente inofensivas presentes no ambiente, designadas por alergénios.

Entre os mais comuns encontram-se:

– Pólenes de árvores, ervas e outras plantas;

– Ácaros do pó e de armazenamento, que podem estar presentes em ambientes interiores e em rações;

– Bolores, frequentemente associados a ambientes húmidos.

 

Estas alergias podem manifestar-se em determinadas épocas do ano ou persistir durante todo o ano, dependendo dos alergénios envolvidos e da sensibilidade de cada animal.

 

Quais são os sintomas mais frequentes?

O sintoma mais característico é o prurido, ou seja, a comichão. No entanto, existem outros sinais aos quais devemos estar atentos:

– Lambedura persistente das patas;

– Vermelhidão da pele, sobretudo nas patas, orelhas, axilas e barriga;

– Otites recorrentes;

– Coçar-se frequentemente;

– Perda de pelo em zonas específicas;

– Aparecimento de pequenas lesões, borbulhas ou crostas.

 

Estes sintomas podem ter várias causas, incluindo parasitas, infeções e alergias alimentares. Por isso, é importante consultar um médico veterinário para identificar a origem do problema e definir a abordagem mais adequada.

 

Como pode a alimentação natural ajudar?

A alimentação desempenha um papel importante na manutenção da saúde da pele e do pelo. Uma dieta completa e equilibrada fornece proteínas, ácidos gordos essenciais, vitaminas e minerais necessários à renovação celular e ao funcionamento normal da barreira cutânea.

É importante distinguir as alergias ambientais das alergias alimentares: mudar a alimentação não elimina a reação aos polenes ou aos ácaros. No entanto, uma nutrição adequada pode contribuir para a saúde geral do animal e complementar a abordagem veterinária à gestão das alergias.

 

A dieta BARF (Biologically Appropriate Raw Food) baseia-se na utilização de ingredientes crus, geralmente de origem animal, e deve ser cuidadosamente formulada para satisfazer as necessidades nutricionais de cada cão ou gato.

 

A microbiota intestinal, constituída pelos microrganismos que habitam o intestino, desempenha um papel importante na digestão e na regulação do sistema imunitário. Por este motivo, o equilíbrio intestinal tem despertado um interesse crescente na investigação sobre doenças alérgicas. Sendo a alimentação BARF um alimento “vivo” “não estéril” contribui para a saúde e variedade da microbiota.

 

A utilização de pré e probióticos – como Enterococcus faecium, MOS, FOS, substâncias adsorventes (como pectina ou caulino), leveduras e nutrientes como glutamina e vitaminas B1 – equilibram a microbiota intestinal, protegem a mucosa e reforça o sistema imunitário local e sistémico

 

 

Os ácidos gordos essenciais são importantes para a manutenção da barreira cutânea. Entre eles, destacam-se os ómega-3 EPA e DHA.

Estes ácidos gordos participam na modelação de processos inflamatórios e apoiam a saúde da pele, diminuindo as zonas vermelhas, melhorando a cicatrização e melhorando a barreira da pele.

O equilíbrio dos ácidos gordos na alimentação é também importante. A suplementação deve ser ajustada à dieta habitual e às necessidades do animal, evitando excessos ou desequilíbrios nutricionais.

 

Os cogumelos Chaga (Inonotus obliquus) e Cordycepsm, apesar de ainda não haver evidencia científica, são estudados pelo seu potencial antioxidante e pela influência de alguns dos seus compostos na resposta imunitária.

 

A gestão das alergias ambientais passa por identificar os fatores desencadeantes, controlar os sintomas e proteger a saúde da pele e do intestino. O acompanhamento veterinário é essencial, e a alimentação é uma parte importante desta abordagem.

 

Uma dieta completa e equilibrada, com ingredientes frescos e de boa qualidade, pode fazer a diferença para o seu animal. E, quando indicado, a utilização de suplementos vai também contribuir para o bem-estar e diminuição dos sintomas.