Dentição Canina | Canine dentition

Os cachorros vêm com dentes de leite que algures caem (e desaparecem!) e surgem os dentes definitivos. Muitas vezes isto é um fenómeno que passa despercebido há maioria dos donos, noutros casos é motivo de preocupação demasiada.

A Dra. Ana Margarida Santos, directora clínica da Clinica Veterinária João XXI de Algés, esclarece-nos como tudo acontece.

“Os dentes são extraordinariamente necessários e úteis. Servem para mastigar a comida e transformá-la num bolo alimentar que permite ao tubo digestivo fazer o seu trabalho de aproveitar a energia dos alimentos pelo corpo.

Ao longo da evolução a dentição sofreu muitas alterações. Os vertebrados mais antigos como peixes e répteis ainda exibem hoje em dia as dentições mais simples: têm os dentes todos iguais e vão caindo e crescendo ao longo da vida. Nos mamíferos já há dentes mais especializados que se adequam uns aos outros dentro da boca para funcionar como uma máquina de precisão.

Os incisivos, dentes da frente, servem para cortar, por isso os coelhos têm aqueles grandes dentões da frente que lhes permitem cortar a erva. Os molares, os dentes mais largos que ficam atrás, servem para moer, amassar bem todos os alimentos mais ou menos rijos. Os caninos, que são os dentes maiores dos vampiros, servem para rasgar, e são espencialmente desenvolvidos nos carnívoros que têm que caçar as suas presas.

As várias espécies de mamíferos adaptaram-se de diferentes formas para conseguir utilizar os dentes ao longo das suas vidas. Os elefantes por exemplo, que desgastam muito os dentes ao ingerir e mastigar vegetais muito fibrosos, trocam os seus molares seis vezes ao longo da vida. Vão desgastando, caindo e sendo substituidos como a lagarta de um tanque. Os pequenos roedores em vez de trocar de dentes têm dentes de crescimento permanente que vão repondo o dente à medida que se gasta.

Os cães, bem como os gatos e até os humanos, têm uma dentição transitória que também se chama “de leite” ou decídua antes da dentição permanente ou definitiva. Tal acontece porque as mandíbulas dos jovens são demasiado pequenas para acomodar os dentes permanentes mas há necessidade de dentes numa fase ainda de crescimento para poderem comer alimentos sólidos. Os dentes de leite também são importantes para manter o espaço na boca para os dentes definitivos e para servir de guia para a erupção destes.

Quando o cachorro nasce não tem dentes até às 2 semanas. Os primeiros dentes a nascer são os incisivos, que errompem entre as 2 e as 4 semanas de vida. Há 6 superiores e 6 inferiores. Entre as 3-6 semanas aparecem também os molares. São 3 de cada lado em cima e em baixo. Os últimos a aparecer são os caninos que normalmente deverão ser visíveis às 8 semanas. A dentição de leite é composta por 28 dentes.

Entre as 12-16 semanas começam a irromper os dentes definitivos e os dentes de leite caem. Este processo termina por volta dos 6 meses e até aos 8 meses toda a dentição definitiva deve estar completamente desenvolvida e os dentes de leite devem ter caído. A dentição permanente é composta por 42 dentes: 6 incisivos superiores, 6 inferiores; 4 pré-molares superiores e inferiores de cada lado, 2 molares superiores de cada lado e 3 molares inferiores de cada lado. E claro os 4 grandes caninos, 2 em cima e 2 em baixo. 

Durante este período da mudança de dentição é normal que os cachorros tenham mais necessidade de roer e devem ser proporcionadas formas seguras e desejáveis como brinquedos apropriados para evitar estragos nos chinelos e pernas da mesa…

Este processo normalmente decorre sem complicações na maioria dos cachorros, mas podem surgir alguns problemas que necessitam cuidados médicos. Ocasionalmente surgem fraturas dos dentes de leite que devem ser removidos para evitar abcessos da raiz e prejudicar os dentes definitivos.

Mais frequentemente surge persistência dos dentes de leite que podem não cair até depois dos 6 meses. As raças miniatura como Yorkshire, Chihuahua e Bichon parecem ser particularmente afetadas e muitas vezes é necessária a remoção com anestesia geral para não prejudicar o crescimento dos dentes permanentes e evitar danos na dentição definitiva.”


The dogs come with milk teeth that somehow fall (and disappear!) and the definitive teeth appear. Often this is a phenomenon that goes unnoticed by most owners, in other cases it is cause for concern too much.

Dr. Ana Margarida Santos, clinical director of the Veterinary Clinic João XXI de Algés, clarifies how everything happens.

“Teeth are extraordinarily necessary and useful. They serve to chew the food and transform it into a food cake that allows the digestive tract to do its job of harnessing the energy of food through the body.

Throughout the evolution the dentition has undergone many changes. Older vertebrates such as fish and reptiles still exhibit the simplest dentitions: they have all the same teeth and they are falling and growing throughout life. In mammals there are already more specialized teeth that fit each other inside the mouth to function as a precision machine.

The incisors, front teeth, serve to cut, so the rabbits have those large front teeth that allow them to cut the grass. The molars, the wider teeth that are behind, serve to grind, knead well all the more or less hard foods. Canines, which are the largest teeth of vampires, serve to tear, and are spiritually developed in the carnivores that have to hunt their prey.

The various species of mammals have adapted in different ways to be able to use their teeth throughout their lives. Elephants, for example, who wear their teeth a lot when ingested and chew on very fibrous vegetables, swap their molars six times throughout their lives. They are wearing, falling and being replaced like the caterpillar of a tank. Small rodents instead of changing teeth have permanent growth teeth that replenish the tooth as it spends.

Dogs, as well as cats and even humans, have a transient dentition that is also called “milk” or deciduous before permanent or definitive dentition. This is because the jaws of the young are too small to accommodate the permanent teeth but there is a need for teeth in a still growing stage to be able to eat solid foods. Milk teeth are also important to keep the space in the mouth for the definitive teeth and to serve as a guide for the eruption of these.

When the dog is born it has no teeth until 2 weeks. The first teeth to be born are the incisors, which erupt between 2 and 4 weeks of age. There are 6 upper and 6 lower. Between the 3-6 weeks molars also appear. They are 3 on each side on top and bottom. The last to appear are the canines that normally should be visible at 8 weeks. The milk dentition is composed of 28 teeth.Between the 12-16 weeks the definitive teeth erupt and the milk teeth fall. This process ends at about 6 months and up to 8 months the entire permanent dentition must be fully developed and the milk teeth must have fallen. The permanent dentition consists of 42 teeth: 6 upper incisors, 6 lower; 4 upper and lower premolars on each side, 2 upper molars on each side and 3 lower molars on each side. And of course the 4 big canines, 2 on top and 2 on bottom.

During this period of change of dentition it is normal for dogs to have more need to gnaw and safe and desirable forms should be provided as appropriate toys to avoid havoc on table slippers and legs …

This process usually runs smoothly in most dogs, but there may be some problems that need medical attention. Occasionally there are fractures of milk teeth that must be removed to avoid root abscesses and damage the definitive teeth.

More often, persistence of milk teeth which may not fall until after 6 months. Miniature breeds such as Yorkshire, Chihuahua and Bichon appear to be particularly affected and often need removal with general anesthesia so as not to impair the growth of permanent teeth and prevent damage to the final dentition.

Para marcação de consulta | To book an appointment
www.clinicaveterinaria.com.pt/

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *